Foto: divulgação

Nosso entrevistado é Daniel Mauricio nascido em Jaguariaíva–PR, é membro associado do Centro de Letras do Paraná – CLP, membro da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia – AVIPAF; Graduado em Letras – UFPR; Administração  de   Empresas   –   FESP;   Direito   –   FARESC;   Pós-graduado   em   Gestão Administrativa e Tributária – PUC/PR; Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Qualidade   no  Setor  Público  –   SPEI;  Pós-Graduado   em  Gestão  Pública   de Tecnologia  da  Informação –  PUC/PR; Pós-Graduado  em   Gestão   Pública  – FAEL; É Auditor Tributário. Autor dos livros Mosaico de Sentimentos e Cacos e Retalhos; Poeta premiado, participou de diversas coletâneas e antologias.

“Um bom poeta precisa de “inspiração” e muita “transpiração”, como já foi dito.  É necessário conhecimento da métrica, dos estilos, da técnica, do domínio da palavra, mesmo que seja para subvertê-las.”

 

Quando começou a escrever poesia?

Desde criança eu sempre tive facilidade para escrever redações. Por diversas vezes ganhei o primeiro lugar em concursos realizados nos colégios onde estudei. Mas poesia mesmo comecei a escrever com 13 anos de idade. Ainda guardo até hoje vários cadernos de poesias daquela época.

Fale de seus autores preferidos.

No meu tempo de adolescência gostava muito de ler Alvares de Azevedo, Fagundes Varela. Mais tarde comecei a tomar gosto pelos versos de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Cecília Meireles. Depois fiquei fascinado com os poetas concretistas. Mas posso dizer que a minha poesia atual tem muito mais a ver com as obras de Helena Kolody, Paulo Leminski e Manuel de Barros que se tornaram minhas referências.

 

“Como disse Drummond a inspiração vem da luta travada com a palavra. Assim, procuro palavras “grávidas de sentidos” para que possam exprimir o máximo no mínimo, conforme ensinava Paulo Leminski.”

 

Como surgem as ideias para seus livros?

Sempre tive o hábito de escrever e ir guardando. Algumas vezes mostrava para os amigos que na maioria das vezes me incentivavam a publicá-los em livros. No meu tempo de faculdade de Letras tive três professores que me incentivaram bastante: professor Jesus Belo Galvão,  professor Paulo Venturelli e Denise Azevedo Duarte Guimarães. Então depois de reunir uma boa quantidade de poemas surgiu a oportunidade de publicá-los sendo que o lançamento dos dois primeiros livros solos ocorreu no mesmo dia.

Que lugar ocupa a Poesia na sua vida?

Fora a família e o trabalho a poesia ocupa uma posição central na minha vida. Todos os dias eu leio ou escrevo poesia. A poesia se transformou numa necessidade sem a qual não consigo viver.

Qual é a sua expectativa? Espera alguma reação específica dos leitores?

Sempre que a gente escreve uma poesia e a publica em livro, jornal, blog ou nas redes sociais é normal que a gente fique com uma expectativa grande de que a poesia encontre eco em alguém. É muito gratificante quando recebo mensagens dizendo que a minha poesia tocou o coração de alguém, que “foi feita pra mim”, que transmitiu paz, amor ou que fez lembrar de algo ou alguém. Então, posso dizer que espero sim que o leitor reaja ou sinta cada palavra dita e sobretudo consiga ler nas entrelinhas.

Tem algum ritual para escrever, como ouvir música, tomar um café ou algum outro?

Não tenho nenhum ritual específico. Mas costumo deixar papel e caneta na cabeceira da cama, pois muitas vezes escrevo à noite inclusive com a luz apagada e no outro dia é que vou tentar decifrar os garranchos que muitas vezes se perdem porque nem eu consigo entender (risos). Como eu gosto de caminhar e observar tudo a minha volta, as ideias vão desfilando e no final acabam se transformando em poesia.

Como é seu processo criativo? Para escrever um poema, por exemplo, você parte de uma palavra? De uma imagem? De uma vivência? De acontecimentos?

Eu sempre falo que a maioria das minhas poesias são ècfrásticas, ou seja, estão intimamente ligadas a uma foto, imagem ou objeto. Então a criação de um poema normalmente se dá a partir de uma foto ou de uma palavra. Não gosto de fazer poemas longos ou descritivos pois penso que quanto mais se escreve menos oportunidade se dá ao leitor de que sinta ou interprete da sua maneira. Assim, quanto mais curto for, maior será o impacto no leitor continuará pensando e sentindo até sobre o que não foi dito ou expressado. Como disse Drummond a inspiração vem da luta travada com a palavra. Assim, procuro palavras “grávidas de sentidos” para que possam exprimir o máximo no mínimo, conforme ensinava Paulo Leminski.

 

Na sua opinião a internet incentiva a leitura de livros ou prejudica?

Na minha opinião a internet se transformou na maior aliada dos livros. Hoje em dia dificilmente alguém entra numa livraria só pra “ver as novidades”. Normalmente é através da internet que os livros são divulgados e comentados, de forma que desperta o interesse do leitor a ir na livraria ou comprar pela internet mesmo o livro desejado. Sem dúvida que as próximas gerações estarão mais adaptadas a lerem através de e-books do que os livros físicos.

Você acha que o poeta nasce ou ele se faz?

Acredito que as pessoas nascem com maior ou menor habilidade para se expressar através da escrita. Mas é através da leitura é que o poeta se faz. Um bom poeta precisa de “inspiração” e muita “transpiração”, como já foi dito.  É necessário conhecimento da métrica, dos estilos, da técnica, do domínio da palavra, mesmo que seja para subvertê-las.

Fale um pouco de seus planos para o próximo ano.

Não sou muito afeito a fazer planos a longo prazo. Mas como este ano ficamos muito limitados em virtude da pandemia, desejo que para os próximos anos aprendamos a lidar com o “novo normal”, que a vida possa ser mais valorizada e que aprendamos a dar maior valor às pessoas do que às coisas e que cada dia de vida seja motivo para celebração. Quero viajar mais e no campo da literatura desejo publicar mais livros e participar de mais antologias e coletâneas.

 

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