Estamos chegando ao fim de setembro, mês que referencia a prevenção ao suicídio. E é preciso falar sobre o assunto neste e em todos os demais meses. Nos últimos 30 dias, aproximadamente 25% dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente suicídio, segundo dados da US Department of Health and Human Services/Centers of Disease Control and Prevention.

No Brasil, são mais de 12 mil suicídios todos os anos e, um milhão, no mundo. Segundo dados da ABP, cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Segundo Gustavo Sehnem, médico psiquiatra da Unimed Curitiba, o cuidado com a saúde mental é essencial para a prevenção ao suicídio. “Nem todos tem a mesma percepção sobre a importância da atenção aos sintomas, diferentemente das questões físicas, como uma torção ou fratura no pé, por exemplo. Qualquer pessoa que esteja com dor, irá procurar ajuda médica de um ortopedista. O mesmo vale para a saúde mental”, explica.

Além do tabu, os mitos e verdades são outro desafio quando a temática é o suicídio. “A história do mimimi, chamar a atenção ou ameaçar é uma barreira a ser transposta”.  Daí a importância do Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Confira, abaixo, os principais mitos e verdades sobre o tema, extraídos da cartilha “Suicídio: Informando para prevenir”, disponível para download pelo site setembroamarelo.com.

  •  O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio. FALSO. Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.
  • Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida. FALSO. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.
  • As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção. FALSO. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.
  • Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou. FALSO. Se alguém que pensava em suicidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se “melhor” ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.
  • Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.
  • Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco. FALSO. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
  • É proibido que a mídia aborde o tema suicídio. FALSO. A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc.

Cuidado com a mente

Setembro também marca o Dia mundial de Combate ao Estresse, no dia 24. Ainda sobre o cuidado com o estresse, extremamente prejudicial à saúde mental, o psiquiatra faz um desafio para incentivar a atenção aos pequenos detalhes do dia a dia. “Eu te desafio a elaborar em sua mente de forma rápida três atitudes que você teve nas últimas 72 horas que cuidaram e beneficiaram a sua mente. Agora imagine que sua perna está quebrada. Nas últimas 72 horas, o que você teria feito para cuidar do seu órgão e ter uma melhora eficaz e saudável? Certamente, teria procurado ajuda. Infelizmente esse não é o cenário quando se trata de saúde mental. Mas isso requer tanto cuidado quanto os aspectos físicos. As condições que assolam nossa saúde mental são tão graves e preocupantes quanto doenças fisiológicas que afetam nosso organismo”, comenta.

Para auxiliar nesse cuidado, ele nos convida a refletir – e incluir – quatro atitudes para que a mente seja um lugar mais favorável para os pensamentos e emoções.

  1. Respeite suas fases e momentos. Neste ano, todos estão inseridos em um contexto de ansiedade, insegurança, angústia, medo e diversos outros sentimentos apreensivos. Porém, quando as emoções resultam em consequências para a qualidade de vida e convivência em sociedade, é hora de pedir ajuda. Compreenda que todos vivem um momento parecido, mas é importante olhar para si e perceber se suas reações estão saindo pela tangente. Essa é a hora de pedir ajuda, mesmo que seja só para uma fase.
  2. Respeite seus limites. No ano passado, os afastamentos por Síndrome de Burnout aumentaram cerca de 114,8% no Brasil. Em 2019 a OMS também categorizou essa Síndrome oficialmente como uma doença. Entre os principais sintomas estão o esgotamento, não apenas físico, mas também mental do profissional. A ansiedade gerada pelo cumprimento de metas, por um ambiente de trabalho opressor, relações abusivas e ausência de descanso podem levar a condições como a Síndrome de Burnout. Por isso, olhe com frequência à sua volta. Você está sempre estressado no trabalho? Esse estresse acompanha suas refeições, seus possíveis momentos de lazer e faz com que você perca o sono? Alerta vermelho. Que tal rever isso? Converse com seus gestores, troque ideias com seus colegas de trabalho e, se necessário, por que não trilhar outra história em um ambiente diferente e mais saudável? Dê preferência para espaços em que a sua saúde é respeitada, com ações que cuidam dos colaboradores e zelam por profissionais saudáveis e felizes. Neste ano, a Unimed Curitiba criou um novo programa sobre saúde mental. A iniciativa aborda esse tema diretamente com líderes de equipes em empresas contratantes, além de promover ações para os colaboradores desses ambientes – clientes usuários do plano Unimed Curitiba.
  3. A tristeza não é para sempre. A alegria só existe porque a tristeza também é real, assim como sombra e luz, chuva e sol. Os opostos existem e fazem parte das nossas vidas. Sentir tristeza é normal, mas ela não deve acompanhar você por dias a fio e muito menos impedir que você viva sua vida inteiramente. Muitas vezes, essa melancolia chega de mansinho bagunçando seu apetite, seu sono e sua vontade de fazer tarefas simples. Beth Carvalho já cantava ‘tristeza, por favor, vá embora. Minha alma que chora’, porque esse sentimento não precisa chegar e ficar. Quando se sentir assim, não hesite em procurar um profissional para conversar sobre essas emoções.
  4. Sua mente faz parte do seu corpo. A prática de exercícios físicos pode ser benéfica no combate à depressão, assim como uma alimentação saudável e boas noites de sono são grandes aliados no cuidado com a saúde mental. Tudo isso porque corpo e mente estão 100% ligados. Cuidar de um sempre vai resultar em benefícios para o outro. Por isso, uma grande chave para a questão é: cuide de você.

“São os pequenos cuidados que nos auxiliarão na prevenção de diversas doenças mentais, além de evitar atitudes drásticas, como pôr fim à própria vida”, completa Sehnem.

via assessoria

 

 

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