Uma história bem contada é o resultado de uma série de fatores vivido pelo seu narrador. O que importa é o momento e a situação enfrentada pelo contador. Exemplo: Imagine que num vagão de trem estão três homens, são eles: Quentin Tarantino, Steven Spielberg e Woody Allen. De repente, surge um casal. Os dois estão discutindo, não dá pra ouvir o que eles falam. Após algum tempo, o homem, num gesto furioso, avança sobre a mulher e a estrangula, deixando os nossos três cineastas atônitos e sem reações. Após o homem matar a mulher, ele se atira do trem. Quando o trem chega na estação, os três cineastas –  testemunhas do crime – são chamados para prestarem depoimentos.
Na sala do investigador, Tarantino é o primeiro a depor. O investigador, ao invés de perguntar como foi que aconteceu o crime-suicídio, ele quer saber do depoente a sua opinião sobre a tragédia, pois tanto o assassino como a vítima estão mortos e não há mais nada a fazer, o investigador precisa apenas cumprir sua rotina. Tarantino, para por uns 38 segundos, e logo dispara a sua metralhadora verborrágica sobre o que teria levado o casal àquela tragédia:
VERSÃO DE TARANTINO (segundo, Altenir Silva).
Eles estavam indo para Boston. Ele acabou de sair da cadeia – estava cumprindo pena por assaltar bancos – mas antes de ir preso, deixou o dinheiro dos seus assaltos para o irmão da moça depositar num banco. Não é que o rapaz resolveu aplicar a grana na bolsa de valores, comprando ações da rede de lanchonete HAMBURGATTOR, que após servir lanches estragados, faliu e afundou com todos os seus investidores.
A grana não existe mais e o cara só descobriu isso um pouco antes de embarcar no trem. A moça defende seu irmão e para piorar a situação, a ideia de investir o dinheiro com as ações da lanchonete foi dela. O cara, agora sem grana e ainda tendo que cumprir a condicional, enlouqueceu e, sem perspectiva de vida, acabou matando a moça.
(Na próxima semana, a versão do Woody Allen).
See you later!

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